Golpilheira

Através de vários documentos, que a seguir mencionamos, fazem-se referências históricas à Golpilheira e aldeias circunvizinhas, provando assim, as suas existências. (Ano de 1211) Documento de Dezembro desse ano (início do reinado de D.Afonso II), referindo a composição e compromisso entre os Cônegos Regrantes de Santa Cruz de Coimbra e os Clérigos Raçoeiros de Leiria. Escrito em latim, nele se fala nas ermidas de São Sebastião de Palácio Randulfo (S. Sebastião do Freixo, actualmente) e de São Leonardo de Cividade, que se supõe ser a actual S. Bento (da Cividade). Este documento prova a existência duma ermida em S. Sebastião do Freixo e de outra que teria antecedido à de S. Bento, logo nos princípios da nossa nacionalidade. (Ano de 1343) Já existia a Golpilheira, conforme carta régia pela qual é concedido o privilégio ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, para ter uma herdade na Golpilheira, então termo de Leiria, que lhe era deixada pelo Cônego, do dito Mosteiro de Coimbra, Vicente Lopes. É possível que a Golpilheira se tenha povoado logo após a construção do Castelo de Leiria, iniciado, por ordem de el-rei D. Afonso Henriques, em 1343, antes, portanto, da Batalha de Aljubarrota. Diz o Couseiro– (Memórias do Bispado de Leiria) – edição de 1868, mas escrito no século XVII (1650): «No lugar da Cividade existe uma ermida, da invocação de S. Bento, com a confraria também antiga, mas já reformada, e fabricada por devotos; tem sacristia e um alpendre, à porta principal, que se fez no ano de 1582; a imagem do Santo é de vulto; tem um sino pequeno. Nesta ermida está situada uma confraria de defuntos da Albergaria do Furadouro, a qual tinha compromisso e obrigações como a da Torre (de Magueixa), e ainda se conserva o tombo, em pergaminho (isto há treze anos) o qual foi feito no ano de 1513; foi também visitado no ano de 1542, e sempre o foi, e é, pelo prelado e seus visitadores; a casa desta albergaria está antes de se chegar ao ribeiro que se chama S. Bento». Na Golpilheira há uma ermida, da invocação de Jesus, na qual estão situadas duas capelas de missas: uma delas, que é a primeira, instituiu Diogo Frade e tem de obrigação vinte missas cada ano, e o possuidor da fazenda desta capela é obrigado à fábrica desta ermida. A outra é de António Gomes, e tem cinquenta missas de obrigação cada ano, que deixou Pedro Gomes, escrivão que foi da chancelaria do reino, que mandou fazer esta ermida; não tem sacristia, alpendre nem sino, posto que já o teve; no altar está Cristo crucificado e a imagem de Santo António e a de Nossa Senhora, de vulto. Esta ermida foi construída em meados do século XV. No lugar de Bico Sachos está outra da invocação de Santo António, feita e dotada por um sacerdote, chamado Jerónimo Ribeiro, no ano de 1625; consta do livro 3º do registo, a fls, 43 vº. Outra no lugar do Freixo, da invocação de S. Sebastião, muito antiga, tem confraria sem renda e está quase arruinada, (isto no século XVII).